quinta-feira, novembro 11, 2004

Yasser Arafat

Morreu o último herói romântico, um homem que lutou por aquilo que acreditava estar certo, a última (oxalá me engane) grande esperança de paz para o Médio Oriente.





post scriptum: e o blOgre a vê-los passar...

quinta-feira, novembro 04, 2004

O Dylan, como sempre, é que sabe

Political World

We live in a political world,
Love don't have any place.
We're living in times where men commit crimes,
And crime don't have a face.

We live in a political world,
Icicles hanging down,
Wedding bells ring and angels sing,
clouds cover up the ground.

We live in a political world,
Wisdom is thrown into jail,
It rots in a cell, is misguided as hell,
Leaving no one to pick up a trail.

We live in a political world
Where mercy walks the plank,
Life is in mirrors, death disappears
Up the steps into the nearest bank.

We live in a political world
Where courage is a thing of the past,
Houses are haunted, children are unwanted,
The next day could be your last.

We live in a political world,
The one we can see and can feel,
But there's no one to check, it's all a stacked deck,
We all know for sure that it's real.

We live in a political world,
In the cities of lonesome fear,
Little by little you turn in the middle
But you're never sure why you're here.

We live in a political world,
Under the microscope,
You can travel anywhere and hang yourself there,
You always got more than enough rope.

We live in a political world,
Turning and a-thrashing about,
As soon as you're awake, you're trained to take,
What looks like the easy way out.

We live in a political world,
Where peace is not welcome at all,
It's turned away from the door to wander some more,
Or put up against the wall.

We live in a political world,
Everything is hers or his,
Climb into the frame and shout God's name,
But you're never sure what it is.

Bob Dylan

quarta-feira, novembro 03, 2004

Esporádico

Arranjei tempo (e vontade, confesso) para vir aqui, e só tenho uma coisa a dizer: MERDA PARA O MUNDO!!!

Francisco Castor

quinta-feira, outubro 21, 2004

Ildo Lobo

Meus amigos, eu já tinha avisado.
Começo mesmo a ver o blOgre com outros olhos...

Esta música não me sai da cabeça desde ontem

La liberté est en voyage

Avec des plumes bleues
Des poissons dans son lit
Et le canard boiteux
Qui me tient compagnie
Avec un bout de zan
Deux mètres de ficelle
Un coup de ran plan plan
Un zeste de ma belle

Fermez vos grilles fermez vos cages
La liberté est en voyage

Sur l'aile des casquettes
Et des trains de banlieue
Le temps d'une risette
Où tu veux quand tu veux
Avec une musette
Un souffle de vin blanc
Avec l'escarpolette
Ah jetez-moi dedans

Fermez vos grilles fermez vos cages
La liberté est en voyage

Avec l'étouffe crasse
Le pauvre Harry Cow
L'inutile grandasse
Et ses cocoricos
Avec le corniflard
Les écrase-torchons
Les oncles grésillards
Et les petits Ducon

Fermez vos grilles fermez vos cages
La liberté est en voyage
Avec le pingouin mauve
Qui mange les méchants
Les penseurs aux yeux chauves
Les Ma Sœur bien pensant
Avec un crocodile
Oui berce les enfants
Avec indélébile
Qui marque jusqu'au sang

Fermez vos grilles fermez vos cages
La liberté est en voyage

Avec zouli zoulis
Tes profonds reindibus
Tes palmes lapidus
Et ton joli zizi
Avec ta flamme brune
Et la source au milieu
Avec je te prie Dieu
Et ta main dans ma hune

Fermez vos grilles fermez vos cages
La liberté est en voyage

Avec le beau le laid
Le droit et le tordu
Avec la soupe au lait
Et le rien ne va plus
Avec des Nom de Dieu
Avec des noms de fleurs
Et des prénoms de feu
Et des surnoms de cœur

Fermez vos grilles fermez vos cages
La liberté est en voyage

Jean Ferrat

Москва

Cheguei segunda-feira, mas ainda venho meio abananado.
Como não consigo pôr aqui fotografias (ora porra), vejam estas e percebam porquê.

terça-feira, setembro 28, 2004

Ando numa de poesia

Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.

Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
E que o tens para mo dar.

Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?

Fernando Pessoa

quarta-feira, setembro 22, 2004

sexta-feira, setembro 10, 2004

A mulher que passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.

Vinícius de Moraes, Novos Poemas

Bella

Bella,
como en la piedra fresca
del manantial, el agua
abre un ancho relámpago de espuma,
así es la sonrisa en tu rostro,
bella.

Bella,
de finas manos y delgados pies
como un caballito de plata,
andando, flor del mundo,
así te veo,
bella.

Bella,
con un nido de cobre enmarañado
en tu cabeza, un nido
color de miel sombría
donde mi corazón arde y reposa,
bella.

Bella,
no te caben los ojos en la cara,
no te caben los ojos en la tierra.
Hay países, hay ríos
en tus ojos,
mi patria está en tus ojos,
yo camino por ellos,
ellos dan luz al mundo
por donde yo camino,
bella.

Bella,
tus senos son como dos panes hechos
de tierra cereal y luna de oro,
bella.

Bella,
tu cintura
la hizo mi brazo como un río cuando
pasó mil años por tu dulce cuerpo,
bella.

Bella,
no hay nada como tus caderas,
tal vez la tierra tiene
en algún sitio oculto
la curva y el aroma de tu cuerpo,
tal vez en algún sitio,
bella.

Bella, mi bella,
tu voz, tu piel, tus uñas
bella, mi bella,
tu ser, tu luz, tu sombra,
bella,
todo eso es mío, bella,
todo eso es mío, mía,
cuando andas o reposas,
cuando cantas o duermes,
cuando sufres o sueñas,
siempre,
cuando estás cerca o lejos,
siempre,
eres mía, mi bella,
siempre.

Pablo Neruda, Los Versos del Capitán

quinta-feira, setembro 09, 2004

Os meus 15 minutos

Voltando à mesma história, adoro acordar de manhã, com o primeiro despertador, e voltar a adormecer.
Esse espaço de tempo, entre um acordar e o outro, é o mais produtivo de todos. Nesses parcos minutos posso ser o que quero. São esses os sonhos de que me lembro melhor.
Por não ser um sonho profundo, vejo-os como se os estivesse a viver. Alguns (por sinal bastantes), até os consigo controlar.
Já tive sonhos que duraram dias inteiros nesses quinze minutos.
Já tive sonhos em que era o delfim da Atlântida, numa cidade fantástica, com grandes edifícios envidraçados, de cúpulas douradas, a saír da água e a olhar em direcção ao céu. Debaixo do mar, grandes cúpulas de vidro protegiam torres tétricas, feitas com traços de Gaudí (devo ter lido “A Cidade Que Não Existia” de Bilal nessa noite).
Já tive também sonhos em que, no meio de uma escura viela, debaixo de um único candeeiro de rua aceso, fui atacado pelo professor de ITI do 12º ano. A turma era dividida em duas para esta cadeira, e quem me atacou foi o professor da outra metade (?)!
Já estive a bordo de uma nave, minúscula, a voar pela minha casa, e a tentar fugir a um gato que não tenho.
Já corri, rua fora, para me aperceber que, dando passadas cada vez maiores, conseguia voar. E voei... Vi Lisboa, pelos meus olhos, sem uma janela de avião à minha frente. Corri o mundo a voar, e acordei muito bem disposto.
Acabo por aqui, apenas para explicar qua aqueles 15 minutos são do melhor qua há.
Levanto-me então, ainda a pensar no sonho; tomo banho a pensar em modos de continuar as aventuras recentemente vividas; como um pequeno almoço de rei, de vítima, ou semi-deus.
Saio à rua, para ir trabalhar, vejo a Estrada de Benfica em todo o seu esplendor, os autocarros e as mesmas caras de lutas diferentes, os mesmos rostos tristonhos que não acreditam num dia melhor, e sinto-me vazio.

sexta-feira, setembro 03, 2004

Matraquilhices

Estava eu a na minha habitual ronda pelos blogues favoritos... E eis senão quando (esta expressão apraz-me) leio isto: “Ao olhar-lhe para o rosto, para o cabelo penteado, para a camisa de riscas, para a gravata sóbria, ao sentir-lhe o cheiro enjoativo do perfume caro, ao lembrar-me do seu reluzente BMW azul escuro, percebi que aquele homem só podia gostar de música certinha, aborrecida como ele próprio. Música chata. Muito chata. Sei lá, qualquer coisa do tipo Dire Straits ou Pink Floyd.”
Como devem imaginar fiquei parvo. O estilo mete-nojo é-me conhecido: é o típico jurista que tinha notas boas na Faculdade, e por causa disso é o Rei do Mundo. Eu também os conheço, tenho aulas com eles.
Agora confundir essa espécie de avis rara com um admirador de Dire Straits e Pink Floyd, não posso deixar passar. E olha que até gosto de Ségio Godinho.
Música certinha? Qual deles? O único grupo que conseguiu vender discos de rock and roll (e uso esta expressão com toda a carga positiva que ela tem) numa altura em que quem vendia eram os que usavam calças à boca de sino e colarinhos grandes? Gostas de disco? Ou é certinho?
Ou o grupo que redifiniu a maneira de ver a música? Os impulsionadores do rock sinfónico? Conheces bem Pink Floyd? Porque é que dizes que é certinho? Porque é melodioso? Ou porque têm letras com sentido? Se não conheces bem, ouve músicas do início da banda. Ouve as músicas que o Syd Barrett fez.
Nem Dire Straits nem Pink Floyd são certinhos.
Quando ao facto de dizeres que têm música aborrecida e chata, é porque não deves conhecer bem. E quanto a isso não me pronuncio, senão ninguém me cala.
Não leves isto como um ataque pessoal, o Sérgio Godinho está para ti como os Dire Straits e Pink Floyd estão para mim.
Além disso: exceptuando Los Hermanos que não conheço, e Caetano Veloso que não vou mesmo à bola com ele, gosto de tudo o que tens aí. Mesmo.

P.S.: Já vi muitos tipos desses na fnac, e tenho uma coisa dizer-te: o que eles gostam é Manowar (não sei se é assim que se escreve isto), Megadeth, AC/DC, and so on, and so on...

quarta-feira, setembro 01, 2004

Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

Estoril - Portugal, 10.1939
Vinícius de Moraes, Poemas, sonetos e baladas

quinta-feira, agosto 26, 2004

Caderneta

Descobri agora (só agora? perguntar-se-ão alguns) um blog muito, muito bom.
Caderneta da Bola.
Lembram-se de génios da bola como Goran? Seguranças inultrapassáveis dos postes com Vital? Diabretes técnico-tácticos como o saudoso Tó Sá do Setúbal? Inteiros plantéis históricos como os do Desportivo de Chaves?
Tudo isso e muito mais, como isto: "(...) quem não se lembra (ou não quer lembrar!) da digressão pela América do Norte em que a camisola número 10 era envergada por Vado, esse tecnicista endiabrado que conseguia ser mais baixo do que Jorge Maria "Vital"?"
O link já está ali em baixo. Visitem-no.

Até Segunda, que hoje vou para Chaves, passar o fim de semana em família.

quarta-feira, agosto 25, 2004

Nem vale a pena o esforço

Pois é.
Quis fazer uma simples operação plástica, um bonito pealing, e fiquei sem os comentários.
Vou ver se os consigo repcuperar; entretanto, se alguém souber de algum truque, que avise um ogre em apuros.
Obrigado

terça-feira, agosto 24, 2004

Francis

Ontem vi a reportagem da praxe sobre Francis Obikwelu.
Quando alguém ganha qualquer coisa, faz-se sempre uma reportagem com gravações de arquivo e entrevistas a quem conhece o herói. O costume.
Nesta, estavam a entrevistar (provavelmente ontem) um casal que trabalhava no Belenenses quando ele foi para lá, que o tomou como filho adoptivo. "Se vissem uma criança de 17 anos a chorar, a dizer que não tinha pai nem mãe, e vos pedisse para serem mãe dele, não lhe iam dizer que não!", disse a senhora com os seus olhos de assassina em série (tinha mesmo!!!).
"E o senhor, parece que exclamou qualquer coisa ontem?"
"(risos) Urra! (mais risos) Disse urra! Esta já cá canta! (entre mais risos)"
Depois os risos continuaram, mas foram os meus.
Para começar, ninguém diz Urra! Urra é o grito de alegria de quem não sabe bem o que é estar feliz.
Depois, parece-me ridículo alguém dizer à jornalista que o senhor disse "qualquer coisa", para depois se vir a saber que o que ele disse foi "Urra".
Adiante.
Depois foi uma entrevista ao próprio, a dizer que a principal impulsionadora para a sua mudança de nacionalidade foi a sua mãe na Nigéria. Já vamos em duas mães, e esperemos que esta ao menos seja a biológica. Duas mães adoptivas é demais para um homem só.
Passado um bocado entrevistaram a sua actual treinadora, uma espanhola visivelmente satisfeita com o resultado de um atleta com quem se dá muito bem, e que a trata como se fosse sua mãe.

...



TRÊS!!!
O gajo tem três mães!!!
Deve fazer aqueles olhinhos do gato das botas no Shrek2, ou olhinhos de Bambi, e elas derretem-se todas.
Isto é de homem!!! Corre que se farta, e ainda engata as velhas.

segunda-feira, agosto 23, 2004

Porque é que temos de voltar sempre das férias?

.

Coisas

No sábado fui ao Bairro (sim, é verdade, EU fui ao Bairro), a um dos poucos sítios suportáveis que lá existe -Catacumbas-, e ouvi um disco muito bom, duns tais Big Bad Voodoo Daddy.
Alguém conhece?
Que coisa boa.
Uma orquestra de jazz, relativamente recente, com um swing do caraças.
Vou ver se encontro, e depois venho cá falar mais.

sexta-feira, agosto 20, 2004

Cá está ele

Pois é!
É sempre uma emoção regressar de férias, sobretudo quando se vem de um país em vias de desenvolvimento/ terceiro mundo.
Chega-se cá, 15 dias depois, impressionado com a criminalidade, a corrupção, essas tretas todas (ainda por cima estão em época de eleições), e vê-se o telejornal, as cassetes (dos) piratas, as demissões na PJ e na PGR, os putos que morrem porque as balizas não estão presas...
É sempre bom regressar a casa...
Sentiram a minha falta?
Eu senti, quinze dias sem alter ego é muito complicado!...
Bem, de qualquer maneira já cá estou, que é mesmo o que eu queria dizer.

Ah, e também queria dizer que há um candidato a vereador no Recife chamado Clodovildo Cócó.

segunda-feira, agosto 02, 2004

É desta!!!

Agora é a sério, o Ogre vai de férias.
E, como não podia deixar de ser, vai deixar de cá vir durante uns tempos.
Vai ver como resultam os países com governos de esquerda, e para tal vai-se debruçar aprofundadamente no trabalho efectuado pelo Lula da Silva nesse grande país que é o Brasil.

Saudades e abraços.