Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.
Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
E que o tens para mo dar.
Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?
Fernando Pessoa
terça-feira, setembro 28, 2004
quarta-feira, setembro 22, 2004
sexta-feira, setembro 10, 2004
A mulher que passa
Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.
Vinícius de Moraes, Novos Poemas
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.
Vinícius de Moraes, Novos Poemas
Bella
Bella,
como en la piedra fresca
del manantial, el agua
abre un ancho relámpago de espuma,
así es la sonrisa en tu rostro,
bella.
Bella,
de finas manos y delgados pies
como un caballito de plata,
andando, flor del mundo,
así te veo,
bella.
Bella,
con un nido de cobre enmarañado
en tu cabeza, un nido
color de miel sombría
donde mi corazón arde y reposa,
bella.
Bella,
no te caben los ojos en la cara,
no te caben los ojos en la tierra.
Hay países, hay ríos
en tus ojos,
mi patria está en tus ojos,
yo camino por ellos,
ellos dan luz al mundo
por donde yo camino,
bella.
Bella,
tus senos son como dos panes hechos
de tierra cereal y luna de oro,
bella.
Bella,
tu cintura
la hizo mi brazo como un río cuando
pasó mil años por tu dulce cuerpo,
bella.
Bella,
no hay nada como tus caderas,
tal vez la tierra tiene
en algún sitio oculto
la curva y el aroma de tu cuerpo,
tal vez en algún sitio,
bella.
Bella, mi bella,
tu voz, tu piel, tus uñas
bella, mi bella,
tu ser, tu luz, tu sombra,
bella,
todo eso es mío, bella,
todo eso es mío, mía,
cuando andas o reposas,
cuando cantas o duermes,
cuando sufres o sueñas,
siempre,
cuando estás cerca o lejos,
siempre,
eres mía, mi bella,
siempre.
Pablo Neruda, Los Versos del Capitán
como en la piedra fresca
del manantial, el agua
abre un ancho relámpago de espuma,
así es la sonrisa en tu rostro,
bella.
Bella,
de finas manos y delgados pies
como un caballito de plata,
andando, flor del mundo,
así te veo,
bella.
Bella,
con un nido de cobre enmarañado
en tu cabeza, un nido
color de miel sombría
donde mi corazón arde y reposa,
bella.
Bella,
no te caben los ojos en la cara,
no te caben los ojos en la tierra.
Hay países, hay ríos
en tus ojos,
mi patria está en tus ojos,
yo camino por ellos,
ellos dan luz al mundo
por donde yo camino,
bella.
Bella,
tus senos son como dos panes hechos
de tierra cereal y luna de oro,
bella.
Bella,
tu cintura
la hizo mi brazo como un río cuando
pasó mil años por tu dulce cuerpo,
bella.
Bella,
no hay nada como tus caderas,
tal vez la tierra tiene
en algún sitio oculto
la curva y el aroma de tu cuerpo,
tal vez en algún sitio,
bella.
Bella, mi bella,
tu voz, tu piel, tus uñas
bella, mi bella,
tu ser, tu luz, tu sombra,
bella,
todo eso es mío, bella,
todo eso es mío, mía,
cuando andas o reposas,
cuando cantas o duermes,
cuando sufres o sueñas,
siempre,
cuando estás cerca o lejos,
siempre,
eres mía, mi bella,
siempre.
Pablo Neruda, Los Versos del Capitán
quinta-feira, setembro 09, 2004
Os meus 15 minutos
Voltando à mesma história, adoro acordar de manhã, com o primeiro despertador, e voltar a adormecer.
Esse espaço de tempo, entre um acordar e o outro, é o mais produtivo de todos. Nesses parcos minutos posso ser o que quero. São esses os sonhos de que me lembro melhor.
Por não ser um sonho profundo, vejo-os como se os estivesse a viver. Alguns (por sinal bastantes), até os consigo controlar.
Já tive sonhos que duraram dias inteiros nesses quinze minutos.
Já tive sonhos em que era o delfim da Atlântida, numa cidade fantástica, com grandes edifícios envidraçados, de cúpulas douradas, a saír da água e a olhar em direcção ao céu. Debaixo do mar, grandes cúpulas de vidro protegiam torres tétricas, feitas com traços de Gaudí (devo ter lido “A Cidade Que Não Existia” de Bilal nessa noite).
Já tive também sonhos em que, no meio de uma escura viela, debaixo de um único candeeiro de rua aceso, fui atacado pelo professor de ITI do 12º ano. A turma era dividida em duas para esta cadeira, e quem me atacou foi o professor da outra metade (?)!
Já estive a bordo de uma nave, minúscula, a voar pela minha casa, e a tentar fugir a um gato que não tenho.
Já corri, rua fora, para me aperceber que, dando passadas cada vez maiores, conseguia voar. E voei... Vi Lisboa, pelos meus olhos, sem uma janela de avião à minha frente. Corri o mundo a voar, e acordei muito bem disposto.
Acabo por aqui, apenas para explicar qua aqueles 15 minutos são do melhor qua há.
Levanto-me então, ainda a pensar no sonho; tomo banho a pensar em modos de continuar as aventuras recentemente vividas; como um pequeno almoço de rei, de vítima, ou semi-deus.
Saio à rua, para ir trabalhar, vejo a Estrada de Benfica em todo o seu esplendor, os autocarros e as mesmas caras de lutas diferentes, os mesmos rostos tristonhos que não acreditam num dia melhor, e sinto-me vazio.
Esse espaço de tempo, entre um acordar e o outro, é o mais produtivo de todos. Nesses parcos minutos posso ser o que quero. São esses os sonhos de que me lembro melhor.
Por não ser um sonho profundo, vejo-os como se os estivesse a viver. Alguns (por sinal bastantes), até os consigo controlar.
Já tive sonhos que duraram dias inteiros nesses quinze minutos.
Já tive sonhos em que era o delfim da Atlântida, numa cidade fantástica, com grandes edifícios envidraçados, de cúpulas douradas, a saír da água e a olhar em direcção ao céu. Debaixo do mar, grandes cúpulas de vidro protegiam torres tétricas, feitas com traços de Gaudí (devo ter lido “A Cidade Que Não Existia” de Bilal nessa noite).
Já tive também sonhos em que, no meio de uma escura viela, debaixo de um único candeeiro de rua aceso, fui atacado pelo professor de ITI do 12º ano. A turma era dividida em duas para esta cadeira, e quem me atacou foi o professor da outra metade (?)!
Já estive a bordo de uma nave, minúscula, a voar pela minha casa, e a tentar fugir a um gato que não tenho.
Já corri, rua fora, para me aperceber que, dando passadas cada vez maiores, conseguia voar. E voei... Vi Lisboa, pelos meus olhos, sem uma janela de avião à minha frente. Corri o mundo a voar, e acordei muito bem disposto.
Acabo por aqui, apenas para explicar qua aqueles 15 minutos são do melhor qua há.
Levanto-me então, ainda a pensar no sonho; tomo banho a pensar em modos de continuar as aventuras recentemente vividas; como um pequeno almoço de rei, de vítima, ou semi-deus.
Saio à rua, para ir trabalhar, vejo a Estrada de Benfica em todo o seu esplendor, os autocarros e as mesmas caras de lutas diferentes, os mesmos rostos tristonhos que não acreditam num dia melhor, e sinto-me vazio.
sexta-feira, setembro 03, 2004
Matraquilhices
Estava eu a na minha habitual ronda pelos blogues favoritos... E eis senão quando (esta expressão apraz-me) leio isto: “Ao olhar-lhe para o rosto, para o cabelo penteado, para a camisa de riscas, para a gravata sóbria, ao sentir-lhe o cheiro enjoativo do perfume caro, ao lembrar-me do seu reluzente BMW azul escuro, percebi que aquele homem só podia gostar de música certinha, aborrecida como ele próprio. Música chata. Muito chata. Sei lá, qualquer coisa do tipo Dire Straits ou Pink Floyd.”
Como devem imaginar fiquei parvo. O estilo mete-nojo é-me conhecido: é o típico jurista que tinha notas boas na Faculdade, e por causa disso é o Rei do Mundo. Eu também os conheço, tenho aulas com eles.
Agora confundir essa espécie de avis rara com um admirador de Dire Straits e Pink Floyd, não posso deixar passar. E olha que até gosto de Ségio Godinho.
Música certinha? Qual deles? O único grupo que conseguiu vender discos de rock and roll (e uso esta expressão com toda a carga positiva que ela tem) numa altura em que quem vendia eram os que usavam calças à boca de sino e colarinhos grandes? Gostas de disco? Ou é certinho?
Ou o grupo que redifiniu a maneira de ver a música? Os impulsionadores do rock sinfónico? Conheces bem Pink Floyd? Porque é que dizes que é certinho? Porque é melodioso? Ou porque têm letras com sentido? Se não conheces bem, ouve músicas do início da banda. Ouve as músicas que o Syd Barrett fez.
Nem Dire Straits nem Pink Floyd são certinhos.
Quando ao facto de dizeres que têm música aborrecida e chata, é porque não deves conhecer bem. E quanto a isso não me pronuncio, senão ninguém me cala.
Não leves isto como um ataque pessoal, o Sérgio Godinho está para ti como os Dire Straits e Pink Floyd estão para mim.
Além disso: exceptuando Los Hermanos que não conheço, e Caetano Veloso que não vou mesmo à bola com ele, gosto de tudo o que tens aí. Mesmo.
P.S.: Já vi muitos tipos desses na fnac, e tenho uma coisa dizer-te: o que eles gostam é Manowar (não sei se é assim que se escreve isto), Megadeth, AC/DC, and so on, and so on...
Como devem imaginar fiquei parvo. O estilo mete-nojo é-me conhecido: é o típico jurista que tinha notas boas na Faculdade, e por causa disso é o Rei do Mundo. Eu também os conheço, tenho aulas com eles.
Agora confundir essa espécie de avis rara com um admirador de Dire Straits e Pink Floyd, não posso deixar passar. E olha que até gosto de Ségio Godinho.
Música certinha? Qual deles? O único grupo que conseguiu vender discos de rock and roll (e uso esta expressão com toda a carga positiva que ela tem) numa altura em que quem vendia eram os que usavam calças à boca de sino e colarinhos grandes? Gostas de disco? Ou é certinho?
Ou o grupo que redifiniu a maneira de ver a música? Os impulsionadores do rock sinfónico? Conheces bem Pink Floyd? Porque é que dizes que é certinho? Porque é melodioso? Ou porque têm letras com sentido? Se não conheces bem, ouve músicas do início da banda. Ouve as músicas que o Syd Barrett fez.
Nem Dire Straits nem Pink Floyd são certinhos.
Quando ao facto de dizeres que têm música aborrecida e chata, é porque não deves conhecer bem. E quanto a isso não me pronuncio, senão ninguém me cala.
Não leves isto como um ataque pessoal, o Sérgio Godinho está para ti como os Dire Straits e Pink Floyd estão para mim.
Além disso: exceptuando Los Hermanos que não conheço, e Caetano Veloso que não vou mesmo à bola com ele, gosto de tudo o que tens aí. Mesmo.
P.S.: Já vi muitos tipos desses na fnac, e tenho uma coisa dizer-te: o que eles gostam é Manowar (não sei se é assim que se escreve isto), Megadeth, AC/DC, and so on, and so on...
quarta-feira, setembro 01, 2004
Soneto da Fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
Estoril - Portugal, 10.1939
Vinícius de Moraes, Poemas, sonetos e baladas
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
Estoril - Portugal, 10.1939
Vinícius de Moraes, Poemas, sonetos e baladas
quinta-feira, agosto 26, 2004
Caderneta
Descobri agora (só agora? perguntar-se-ão alguns) um blog muito, muito bom.
Caderneta da Bola.
Lembram-se de génios da bola como Goran? Seguranças inultrapassáveis dos postes com Vital? Diabretes técnico-tácticos como o saudoso Tó Sá do Setúbal? Inteiros plantéis históricos como os do Desportivo de Chaves?
Tudo isso e muito mais, como isto: "(...) quem não se lembra (ou não quer lembrar!) da digressão pela América do Norte em que a camisola número 10 era envergada por Vado, esse tecnicista endiabrado que conseguia ser mais baixo do que Jorge Maria "Vital"?"
O link já está ali em baixo. Visitem-no.
Até Segunda, que hoje vou para Chaves, passar o fim de semana em família.
Caderneta da Bola.
Lembram-se de génios da bola como Goran? Seguranças inultrapassáveis dos postes com Vital? Diabretes técnico-tácticos como o saudoso Tó Sá do Setúbal? Inteiros plantéis históricos como os do Desportivo de Chaves?
Tudo isso e muito mais, como isto: "(...) quem não se lembra (ou não quer lembrar!) da digressão pela América do Norte em que a camisola número 10 era envergada por Vado, esse tecnicista endiabrado que conseguia ser mais baixo do que Jorge Maria "Vital"?"
O link já está ali em baixo. Visitem-no.
Até Segunda, que hoje vou para Chaves, passar o fim de semana em família.
quarta-feira, agosto 25, 2004
Nem vale a pena o esforço
Pois é.
Quis fazer uma simples operação plástica, um bonito pealing, e fiquei sem os comentários.
Vou ver se os consigo repcuperar; entretanto, se alguém souber de algum truque, que avise um ogre em apuros.
Obrigado
Quis fazer uma simples operação plástica, um bonito pealing, e fiquei sem os comentários.
Vou ver se os consigo repcuperar; entretanto, se alguém souber de algum truque, que avise um ogre em apuros.
Obrigado
terça-feira, agosto 24, 2004
Francis
Ontem vi a reportagem da praxe sobre Francis Obikwelu.
Quando alguém ganha qualquer coisa, faz-se sempre uma reportagem com gravações de arquivo e entrevistas a quem conhece o herói. O costume.
Nesta, estavam a entrevistar (provavelmente ontem) um casal que trabalhava no Belenenses quando ele foi para lá, que o tomou como filho adoptivo. "Se vissem uma criança de 17 anos a chorar, a dizer que não tinha pai nem mãe, e vos pedisse para serem mãe dele, não lhe iam dizer que não!", disse a senhora com os seus olhos de assassina em série (tinha mesmo!!!).
"E o senhor, parece que exclamou qualquer coisa ontem?"
"(risos) Urra! (mais risos) Disse urra! Esta já cá canta! (entre mais risos)"
Depois os risos continuaram, mas foram os meus.
Para começar, ninguém diz Urra! Urra é o grito de alegria de quem não sabe bem o que é estar feliz.
Depois, parece-me ridículo alguém dizer à jornalista que o senhor disse "qualquer coisa", para depois se vir a saber que o que ele disse foi "Urra".
Adiante.
Depois foi uma entrevista ao próprio, a dizer que a principal impulsionadora para a sua mudança de nacionalidade foi a sua mãe na Nigéria. Já vamos em duas mães, e esperemos que esta ao menos seja a biológica. Duas mães adoptivas é demais para um homem só.
Passado um bocado entrevistaram a sua actual treinadora, uma espanhola visivelmente satisfeita com o resultado de um atleta com quem se dá muito bem, e que a trata como se fosse sua mãe.
TRÊS!!!
O gajo tem três mães!!!
Deve fazer aqueles olhinhos do gato das botas no Shrek2, ou olhinhos de Bambi, e elas derretem-se todas.
Isto é de homem!!! Corre que se farta, e ainda engata as velhas.
Quando alguém ganha qualquer coisa, faz-se sempre uma reportagem com gravações de arquivo e entrevistas a quem conhece o herói. O costume.
Nesta, estavam a entrevistar (provavelmente ontem) um casal que trabalhava no Belenenses quando ele foi para lá, que o tomou como filho adoptivo. "Se vissem uma criança de 17 anos a chorar, a dizer que não tinha pai nem mãe, e vos pedisse para serem mãe dele, não lhe iam dizer que não!", disse a senhora com os seus olhos de assassina em série (tinha mesmo!!!).
"E o senhor, parece que exclamou qualquer coisa ontem?"
"(risos) Urra! (mais risos) Disse urra! Esta já cá canta! (entre mais risos)"
Depois os risos continuaram, mas foram os meus.
Para começar, ninguém diz Urra! Urra é o grito de alegria de quem não sabe bem o que é estar feliz.
Depois, parece-me ridículo alguém dizer à jornalista que o senhor disse "qualquer coisa", para depois se vir a saber que o que ele disse foi "Urra".
Adiante.
Depois foi uma entrevista ao próprio, a dizer que a principal impulsionadora para a sua mudança de nacionalidade foi a sua mãe na Nigéria. Já vamos em duas mães, e esperemos que esta ao menos seja a biológica. Duas mães adoptivas é demais para um homem só.
Passado um bocado entrevistaram a sua actual treinadora, uma espanhola visivelmente satisfeita com o resultado de um atleta com quem se dá muito bem, e que a trata como se fosse sua mãe.
...
TRÊS!!!
O gajo tem três mães!!!
Deve fazer aqueles olhinhos do gato das botas no Shrek2, ou olhinhos de Bambi, e elas derretem-se todas.
Isto é de homem!!! Corre que se farta, e ainda engata as velhas.
segunda-feira, agosto 23, 2004
Coisas
No sábado fui ao Bairro (sim, é verdade, EU fui ao Bairro), a um dos poucos sítios suportáveis que lá existe -Catacumbas-, e ouvi um disco muito bom, duns tais Big Bad Voodoo Daddy.
Alguém conhece?
Que coisa boa.
Uma orquestra de jazz, relativamente recente, com um swing do caraças.
Vou ver se encontro, e depois venho cá falar mais.
Alguém conhece?
Que coisa boa.
Uma orquestra de jazz, relativamente recente, com um swing do caraças.
Vou ver se encontro, e depois venho cá falar mais.
sexta-feira, agosto 20, 2004
Cá está ele
Pois é!
É sempre uma emoção regressar de férias, sobretudo quando se vem de um país em vias de desenvolvimento/ terceiro mundo.
Chega-se cá, 15 dias depois, impressionado com a criminalidade, a corrupção, essas tretas todas (ainda por cima estão em época de eleições), e vê-se o telejornal, as cassetes (dos) piratas, as demissões na PJ e na PGR, os putos que morrem porque as balizas não estão presas...
É sempre bom regressar a casa...
Sentiram a minha falta?
Eu senti, quinze dias sem alter ego é muito complicado!...
Bem, de qualquer maneira já cá estou, que é mesmo o que eu queria dizer.
Ah, e também queria dizer que há um candidato a vereador no Recife chamado Clodovildo Cócó.
É sempre uma emoção regressar de férias, sobretudo quando se vem de um país em vias de desenvolvimento/ terceiro mundo.
Chega-se cá, 15 dias depois, impressionado com a criminalidade, a corrupção, essas tretas todas (ainda por cima estão em época de eleições), e vê-se o telejornal, as cassetes (dos) piratas, as demissões na PJ e na PGR, os putos que morrem porque as balizas não estão presas...
É sempre bom regressar a casa...
Sentiram a minha falta?
Eu senti, quinze dias sem alter ego é muito complicado!...
Bem, de qualquer maneira já cá estou, que é mesmo o que eu queria dizer.
Ah, e também queria dizer que há um candidato a vereador no Recife chamado Clodovildo Cócó.
segunda-feira, agosto 02, 2004
É desta!!!
Agora é a sério, o Ogre vai de férias.
E, como não podia deixar de ser, vai deixar de cá vir durante uns tempos.
Vai ver como resultam os países com governos de esquerda, e para tal vai-se debruçar aprofundadamente no trabalho efectuado pelo Lula da Silva nesse grande país que é o Brasil.
Saudades e abraços.
E, como não podia deixar de ser, vai deixar de cá vir durante uns tempos.
Vai ver como resultam os países com governos de esquerda, e para tal vai-se debruçar aprofundadamente no trabalho efectuado pelo Lula da Silva nesse grande país que é o Brasil.
Saudades e abraços.
quarta-feira, julho 28, 2004
Gugu Dádá
Pois é, hoje o blOgre faz um ano.
Um ano a não dizer muito, e a fazer ainda menos.
De qualquer maneira, apesar de ninguém se interessar pelo que tenho a dizer, acho que o blOgre ajudou a preencher um espaço em expansão: o dos blogues inconsequentes, que apenas servem para encher o ego de quem os escreve.
Ora, como parece que ninguém se lembrou disto, hoje também faz um ano que morreu o Bob Hope.
Agora que penso nisso... Será que foi o blOgre que matou todas estas pessoas que nos têm deixado?
...
Oh diabo!...
Um ano a não dizer muito, e a fazer ainda menos.
De qualquer maneira, apesar de ninguém se interessar pelo que tenho a dizer, acho que o blOgre ajudou a preencher um espaço em expansão: o dos blogues inconsequentes, que apenas servem para encher o ego de quem os escreve.
Ora, como parece que ninguém se lembrou disto, hoje também faz um ano que morreu o Bob Hope.
Agora que penso nisso... Será que foi o blOgre que matou todas estas pessoas que nos têm deixado?
...
Oh diabo!...
terça-feira, julho 27, 2004
Bem sei que a letra é do Georges Moustaki, mas...
Serge Reggiani cantava-a como se fosse dele.
Das músicas mais bonitas que conheço.
Ma Liberté
Ma liberté
longtemps je t'ai gardée
comme une perle rare.
Ma liberté,
c'est toi qui m'as aidé
à larguer les amarres,
pour aller n'importe où
pour aller jusqu'au bout
des chemins de fortune,
pour cueillir en rêvant
une rose des vents
sur un rayon de lune!
Ma liberté
devant tes volontés
ma vie était soumise
ma liberté,
je t'avais tout prêté
ma dernière chemise
Et combien j'ai souffert
pour pouvoir satisfaire
toutes tes exigences!
J'ai changé de pays,
j'ai perdu mes amis
pour garder ta confiance!
Ma liberté,
tu as su désarmer
mes moindres habitudes
ma liberté,
toi qui m'as fait aimer
même la solitude.
Toi qui m'as fait sourire
quand je voyais finir
une belle aventure,
toi qui m'a protégé
quand j'allais me cacher
pour soigner mes blessures!
Ma liberté,
pourtant je t'ai quittée
une nuit de décembre.
J'ai déserté
les chemins écartés
que nous suivions ensembles,
lorsque, sans me méfier,
les pieds et poings liés
je me suis laissé faire,
et je t'ai trahi
pour une prison d'amour
et sa belle geôlière!
et je t'ai trahi
pour une prison d'amour
et sa belle geôlière!
Das músicas mais bonitas que conheço.
Ma Liberté
Ma liberté
longtemps je t'ai gardée
comme une perle rare.
Ma liberté,
c'est toi qui m'as aidé
à larguer les amarres,
pour aller n'importe où
pour aller jusqu'au bout
des chemins de fortune,
pour cueillir en rêvant
une rose des vents
sur un rayon de lune!
Ma liberté
devant tes volontés
ma vie était soumise
ma liberté,
je t'avais tout prêté
ma dernière chemise
Et combien j'ai souffert
pour pouvoir satisfaire
toutes tes exigences!
J'ai changé de pays,
j'ai perdu mes amis
pour garder ta confiance!
Ma liberté,
tu as su désarmer
mes moindres habitudes
ma liberté,
toi qui m'as fait aimer
même la solitude.
Toi qui m'as fait sourire
quand je voyais finir
une belle aventure,
toi qui m'a protégé
quand j'allais me cacher
pour soigner mes blessures!
Ma liberté,
pourtant je t'ai quittée
une nuit de décembre.
J'ai déserté
les chemins écartés
que nous suivions ensembles,
lorsque, sans me méfier,
les pieds et poings liés
je me suis laissé faire,
et je t'ai trahi
pour une prison d'amour
et sa belle geôlière!
et je t'ai trahi
pour une prison d'amour
et sa belle geôlière!
sexta-feira, julho 23, 2004
Afinal, já cá estou
Vim de propósito à faculdade para prestar a minha homenagem a dois músicos que hoje nos deixaram.
O primeiro, português, por ter acompanhado os meus verdes anos: Carlos Paredes.
O segundo, italiano, por me ter acompanhado em diversas ocasiões: Serge Reggiani.
Aos dois, o meu muito obrigado.
O primeiro, português, por ter acompanhado os meus verdes anos: Carlos Paredes.
O segundo, italiano, por me ter acompanhado em diversas ocasiões: Serge Reggiani.
Aos dois, o meu muito obrigado.
quarta-feira, julho 21, 2004
FÉRIAS!!!!!
Ou então, não...
Tenho uma oral na 2ª, portanto vou tirar 5ª e 6ª. Daqui se depreende que ficarei sem acesso à internet, logo, vê-mo-nos para a semana.
Bom fim de semana.
Tenho uma oral na 2ª, portanto vou tirar 5ª e 6ª. Daqui se depreende que ficarei sem acesso à internet, logo, vê-mo-nos para a semana.
Bom fim de semana.
terça-feira, julho 20, 2004
Nasceu há 700 anos.
Amor, che meco a buon tempo ti stavi
Amor, che meco a buon tempo ti stavi
tra queste rive, a’ pensier nostri amiche,
e per saldar le ragion nostre antiche
meco e col fiume ragionando andavi
fior, frondi, erbe, ombre, antri, onde, aure soavi,
valli chiuse, alti colli e piagge apriche,
porto de l’amorose mie fatiche,
de le fortune mie tante, e sí gravi;
o vaghi abitator de’ verdi boschi,
o ninfe, e voi che ’l fresco erboso fondo
del liquido cristallo alberga e pasce;
i dí miei fûr sí chiari, or son sí foschi,
come Morte che ’l fa. Cosí nel mondo
sua ventura ha ciascun dal dí che nasce.
Petrarca
Amor, che meco a buon tempo ti stavi
Amor, che meco a buon tempo ti stavi
tra queste rive, a’ pensier nostri amiche,
e per saldar le ragion nostre antiche
meco e col fiume ragionando andavi
fior, frondi, erbe, ombre, antri, onde, aure soavi,
valli chiuse, alti colli e piagge apriche,
porto de l’amorose mie fatiche,
de le fortune mie tante, e sí gravi;
o vaghi abitator de’ verdi boschi,
o ninfe, e voi che ’l fresco erboso fondo
del liquido cristallo alberga e pasce;
i dí miei fûr sí chiari, or son sí foschi,
come Morte che ’l fa. Cosí nel mondo
sua ventura ha ciascun dal dí che nasce.
Petrarca
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